porque o tempo dói...


Talvez por ser esta altura, esta época. Talvez por fazer amanhã um ano que tive uma das noites mais felizes da minha vida...
Talvez por fazer um ano que fui tocada pela paixão... por ti.
Sentir na pele as tuas carícias, sentir no pescoço os teus lábios, o teu quente.
Pelo que rimos aquelas ruas fora enquanto davamos de caras com amigos a cantar o fado a plenos pulmões :) ou enquanto lhes suplicavamos a chave por estar aflita para ir à casa de banho... mauzinhos :P
Mal eles sabiam que ainda hoje aturariam essa chata e o quanto se iam rir e divertir com ela, o que infelizmente tu já não pudeste fazer :(
Nesta altura, dou por mim nostálgica nesta madrugada dentro, a pensar como será a noite de amanhã e como gostaria que se pudesse repetir o todo de há um ano atrás. Impossível, infelizmente. A história seria escrita de uma outra forma, podes ter a certeza. Talvez ainda estivesses connosco, talvez não. Mas muito seria diferente e deixar-te-ia a pensar que valia a pena redobrar cuidados...
Muito se riu e chorou neste ano de intervalo, fiz porcaria... arrependi-me porque me fazia doer mais... és insubstituível, único e único conhecedor do caminho do meu coração, pelo menos daquela maneira.
Mesmo podendo tudo isto não passar de ilusão de óptica, mesmo que a tua vida fosse diferente do que eu penso... mesmo que fingisses... que não fingias, impossível. Os teus olhos falavam antes mesmo de pronunciares quelquer palavra. E as palavras que me dizias... impossível não serem sentidas.
Dou por mim numa espécie de "palavras que nunca te direi" porque não me deste tempo para isso, porque cortaste as oportunidades. Mas levaste contigo o mais profundo e sincero dos sentimentos, o amor.
O amor da tua família, dos teus amigos e meu. O mais sincero que possas imaginar.
Sei que eras bem mais louco e bem diferente do que conheci, mas ainda assim, foi cedo a tua partida.
Como amigo querido, muito querido, não quis deixar de contemplar este momento, em que o teu ar malandro paira aqui pelo ar, frente aos meus olhos o teu sorriso rasgado.
Tempos saudades tuas, será difícil não pensar em ti este ano. Mesmo desmembrados, cada qual com sua vida e programa, sei que todos teremos um ponto em comum... tu!
A ti e à tua paz, brindemos num gesto silencioso e puramente simbólico:
Um beijo grande àquele que tanta saudade deixou, um vazio no coração que se vai enchendo das memórias de outros tempos e de um relógio que não deixa parar o tempo.

A ti agradeço os beijos e as palavras bonitas, os abraços que deste e os que pediste.
Os sorrisos e as brincadeiras conjuntas, o atrevimento ;)
Faço uma ode ao teu descaramento tímido e intenso, à tua força interior, ao amor que sentias por quem te queria bem.
Ao orgulho que sentias no teu pai, à lágrima pelo teu irmão... à força que tinhas pela tua mãe. Ao amor que tinhas aos teus amigos e seja ao que for que tinhas a mim... que para te fazer vir tão longe, não devia ser tão banal assim... ou eu assim prefiro acreditar.
Talvez seja mais fácil para mim viver a pensar que gostavas de mim... porque eu gostava de ti.

Deixaste-me como legado os teus amigos que adoro. Um deles que sem querer magoei sem perceber, não dando conta que o vazio ficava maior. Não te perdoo pelo que lhe disseste, não me perdoo pelo que fiz. Dou o desconto a todos porque ás vezes somos estupidos e não pensamos, simplesmente deixamo-nos levar. Muitas vezes na direcção errada... mas tudo faz parte da aprendizagem, que nós por cá temos de continuar a fazer todos os dias.
Onde quer que estejas, espero que este ano nos olhes de longe e sintas o quanto estás perto...

Beijo grande